Congressistas cobram renúncia de Dilma na Câmara e no Senado

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Após vir à tona o conteúdo de um diálogo telefônico entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff, deputados da oposição e dissidentes da base governistas cobraram no plenário da Câmara a renúncia da chefe do Executivo. Aos gritos, os parlamentares gritavam “renúncia, renúncia”. No Senado, também houve pedido no plenário para que a presidente deixe o cargo.

 

Para a oposição, o diálogo derruba a versão da presidente Dilma de que Lula iria para o ministério com o objetivo de fortalecer o governo e ajudar na recomposição da base de apoio do Palácio do Planalto no Congresso. No entendimento de líderes oposicionistas, fica claro que Lula aceitou a nomeação a fim de ter foro privilegiado e passar a ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e não mais por Sérgio Moro.
O protesto de deputados oposicionistas no plenário da Câmara ocorreu em meio à sessão desta quarta. Parlamentares da oposição e até da base aliada gritam “Lula na cadeia” e cantaram o Hino Nacional.
Para a oposição, o conteúdo do telefonema fortalece o apelo para que Dilma deixa o governo. “A casa caiu. A presidente está fazendo obstrução da Justiça. Entendemos que ela é passível de interdição. Vamos pedir a renúncia de Dilma e que se cumpra voz de prisão ao ex-presidente Lula”, declarou o líder do DEM, Pauderney Avelino (AM). “Não tem outro caminho senão a renúncia”, sustentou o líder do PSDB, Antonio Imbassahy (BA).
O líder do PPS, Rubens Bueno (PR) defendeu a prisão de ambos. “O governo acabou. Ambos não merecem outro lugar, senão a prisão”, afirmou.
Em resposta, deputados governistas chamaram os adversários de “golpistas”. Por conta da tensão entre os parlamentares, a sessão acabou suspensa.
O líder do PT, Afonso Florence (BA), rebateu as críticas da oposição e disse que, na conversa, a presidente trata apenas da publicação no Diário Oficial da União da nomeação de Lula para o ministério, falando apenas de “ato estritamente administrativo”. “Tomando a providência para essa publicação [no Diário Oficial da União], a presidente ligou para o presidente Lula. Houve uma gravação e a divulgação dessa gravação de um ato estritamente administrativo”, afirmou.
O deputado Paulo Pimenta (PT-RS), vice-líder do partido, criticou a divulgação do áudio dizendo que o juiz Sérgio Moro cometeu uma ilegalidade ao revelar o teor de uma conversa envolvendo uma pessoa com foro privilegiado.
“Qualquer estudante sabe que quando tem uma pessoa com foro privilegiado o juiz de primeira instância perde a prerrogativa [de julgar]. O juiz Sérgio Moro cometeu uma ilegalidade ao permitir o vazamento da gravação pela Polícia Federal, agindo como um militante político. Esse fato não é da competência dele e é muito grave porque ampliará os atos de violência. Vivemos um estado de exceção”, acusou Pimenta.

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