Equipamento que simula pulmão artificial é utilizado em paciente com Covid-19 em João Pessoa

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Uma tecnologia que simula um pulmão artificial, durante a pandemia da covid-19, ficou ainda mais em evidência, o ECMO (sigla em inglês para oxigenação por membrana extracorpórea) é capaz de salvar vidas de pacientes com insuficiência respiratória aguda grave. A tecnologia já era utilizada para cirurgias cardíacas, como ponte de safena ou troca de válvula, por exemplo. Diversos pacientes já foram tratados com o equipamento, e atualmente, um paciente segue no tratamento com o aparelho no Hospital da Unimed em João Pessoa.

Em entrevista ao ClickPB, nesta quinta-feira (8), o médico cardiologista, Maurilio Onofre, explicou que a novidade nesse tipo de tratamento é que passou a ser incorporado nos pacientes à beira de leitos de Unidade de Terapia Intensiva, uma vez que o aparelho “respira pelo paciente” nos casos em que a função pulmonar está debilitada, quando a ventilação mecânica por respiradores não tem efetividade.

Segundo ele, o procedimento requer aplicação em último caso, e não se trata de uma cura imediata aos quadros graves. “Não vai tratar a doença, apenas vai permitir que o pulmão se recupere e depois é feito o desmame do aparelho. Ele não vai curar a Covid-19, apenas vai substituir o pulmão. Com isso, você repousa o pulmão e permite que ele se recupere”, disse.

O médico considera também que não são todos os casos de insuficiência respiratória aguda grave a receber o tratamento. “Esse procedimento é muito invasivo e só é usado em último caso. A gente tem que usar um remédio que vai impedir a coagulação do sangue. São uma série de fatores que são avaliados, bem como os sinais de contraindicação. Só deve ser usado em doentes que estejam intubados a menos de 7 dias. O doente com mais tempo de recuperação não é recomendado. A rigor com mais de 65 anos já é contra indicado”, destacou

Por não está incluso no rol de procedimentos obrigatórios previstos pela ANS, os planos particulares não são obrigados a inserir o ECMO no tratamento, bem como também não é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em virtude da alta demanda, e por ser um equipamento importando, a falta dele no mercado nacional só começou a ser suprida recentemente, motivo pelo qual, o equipamento é bastante inacessível, assim como os insumos, a exemplo da membrana que também é importada.

O aparelho ECMO funciona com a drenagem do sangue. Nos casos de insuficiência respiratória, o sangue é drenado através de uma cânula inserida em uma veia do pescoço e depois de oxigenado, retorna por uma cânula inserida em uma veia da coxa. Nesse complexo procedimento, o sangue é oxigenado externamente, o que permite que a função pulmonar tenha mais chance de recuperação.

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