Secretário critica intenção de clínicas privadas de vender vacinas para covid-19: ”não podemos separar as pessoas pelo poder econômico”

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O secretário executivo de Gestão da Rede de Unidades de Saúde da Paraíba, Daniel Beltrammi, criticou a intenção de clínicas privadas de vender a vacina de covid-19. ”Não podemos separar as pessoas pelo poder econômico”, disse. Para Beltrammi, a gestão da crise sanitária causada pela pandemia exige equidade e a possibilidade de pessoas mais ricas comprarem a vacina retira esse acesso igualitário.

”O critério deve ser a necessidade”, afirmou o secretário acrescentando que os grupos mais vulneráveis à doença devem ser vacinados primeiro, independente de poder econômico, e que o Sistema Único de Saúde (SUS) deve conduzir esse processo. ”Os mais idosos, idosos com comorbidades, profissionais de saúde, indígenas e quilombolas precisam ter prioridade”, disse. De acordo com o secretário, esses grupos representam de 25% a 30% da população.

A Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas (ABCVAC) informou que está negociando com o laboratório Bharat Biotech, da Índia, a aquisição de cinco milhões de doses de vacinas contra a Covid-19. A vacina indiana se chama Covaxin. Representantes da ABCVAC viajam para a Índia nesta segunda-feira (4) para conhecer o laboratório. A expectativa do setor é de que, num cenário otimista, as doses cheguem ao mercado nacional já em março.

Daniel Beltrammi, porém, acredita que não seja o caso. O secretário explicou ao ClickPB que vacinas com aprovação para uso emergencial não podem ser vendidas para a população. Para ser comercializado, o produto teria que possuir aprovação definitiva da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). ”O que a associação afirmou é que está adiantando etapas burocráticas, acredito que seja mais uma movimentação de mercado para forçar o laboratório indiano a registrar a vacina no Brasil”, comentou.

A empresa indiana já realizou procedimentos junto à Anvisa para submissão contínua dos resultados da vacina, etapa necessária para o registro. Ocorre que, segundo a Anvisa, o procedimento de submissão contínua é restrito a empresas que possuem ensaio clínico em condução aqui no Brasil, mas a vacina da Bharat Biotech não está sendo testada no país.

A Gerência Geral de Medicamentos da Anvisa entrou em contato com representantes do laboratório no Brasil e se colocou à disposição para realizar uma reunião e prestar esclarecimentos sobre os procedimentos necessários para o registro.

A vacina Covaxin obteve autorização para uso emergencial na Índia no sábado (2). Ela deve ser administrada em duas doses com intervalo de duas semanas entre elas e pode ser armazenada em temperaturas entre 2°C e 8°C.

A reportagem do ClickPB entrou em contato com a ABCVAC para saber quanto custará a vacina no Brasil, mas até a publicação desta matéria, a questão não foi respondida.

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