Xeque-Mate: Leto Viana chora, diz que ‘cegou’ e lamenta caminho tomado por amizade com Roberto Santiago

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Leto Viana, ex-prefeito de Cabedelo, na Grande João Pessoa, passa por audiência de instrução nesta terça-feira (9) referente aos desdobramentos da Operação Xeque-Mate, que investiga uma suposta organização criminosa na administração pública da cidade. O esquema, segundo a Polícia Federal, contou com a participação de vereadores, funcionários públicos, um empresário e um comunicador. O grupo seria liderado por Leto.

O T5 teve acesso a alguns trechos do depoimento que acontece no fórum de Cabedelo. Nas declarações, Leto esclareceu o funcionamento de algumas relações e como se desenvolveu parte do esquema especializado no desvio de verbas do município, além do impedimento da construção de um shopping na região – o que teria atendido os interesses do empresário Roberto Santiago.

Em um dos momentos do depoimento, Leto se emocionou, demonstrou arrependimento por ter “cegado” e a amizade com Roberto Santiago ‘seguir por esse caminho’.

Segundo ele, o impedimento da construção do shopping se deu – inicialmente – a partir da negociação envolvendo a compra de vereadores: “Existiu no momento duas fases, uma em 2012 e outra em 2014. Lucas anulou uma fase para não prejudicar alguns amigos, quando ele anula só fica uma. Para eu poder contribuir, vou relatar a verdadeira história”.

“Em setembro de 2012, José Regis tinha conhecimento que existia uma lei em Cabedelo, que era a lei do uso do solo, precisa ter um mapa relatado. Você pegava todas as áreas e dizia que naquele local só poderia construir tantos metros quadrados”, disse.

Leto também falou sobre o contato com o empresário Roberto Santiago e a compra do mandato de Luceninha. Segundo ele, em 2014, “Roberto Santiago se encanta por uma articulação feita por Fabiano Gomes, Olívio e Lucas, para a compra do mandato de Luceninha, ele ia renunciar”.

“Olívio disse a Fabiano, Fabiano disse a Roberto, que queria comprar o mandato para barrar a construção do shopping. Roberto caiu, ficava louco, a ponto de dar vários cheques a Fabiano e Olívio. Ele fez tudo e não disse nada. Me encontrei com ele e ele disse: se prepare para assumir”, relatou.

Em sequência, Leto apontou que “Roberto marcou uma reunião na casa dele, como ele estava encantado com Olívio e Fabiano, que Lucas estava nas mãos dele”, adiantou.

“Quando cheguei na casa de Roberto, encontrei dois vereadores: Belmiro e Márcio Bezerra. De Lucas tinha Rosivânio, Lucas e Moacir. Roberto disse: preciso manter aquela emenda em vigor, não votar contra ele e quando chegar o processo shopping votar contra”.

Por fim, Leto também falou que não teme pela segurança pessoal. Em seu entendimento, apesar da delação, são anos de amizade com o empresário e que está sendo muito difícil para ele fazer essa delação.

Questionada pela equipe de reportagem da Rede Tambaú de Comunicação (RTC), a defesa do ex-prefeito representada pelo advogado Jovelino Delgado, declarou: “Acreditamos que nosso pedido de revogação da prisão preventiva que foi feito na primeira audiência sejam apreciados na data de hoje ou mais tardar nesta quarta. Leto tem se mostrado colaborador da Justiça onde hoje ele irá afirmar, ratificar tudo que foi dito na esfera policial”.

T5

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