Papa Francisco autoriza sacerdotes a perdoar mulheres que fizeram aborto

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Pope Francis gives his thumb up as he leaves at the end of his weekly general audience in St. Peter's square at the Vatican, Wednesday, Sept. 4, 2013. (AP Photo/Riccardo De Luca)

O Papa Francisco deu um passo na direção de flexibilizar as restrições da Igreja Católica com relação ao aborto. Ele disse que decidiu permitir aos sacerdotes do mundo perdoar as mulheres que, durante o próximo Ano Santo Católico, de dezembro de 2015 a novembro de 2016, pedirem perdão por fazer aborto.

“Eu decidi, não obstante qualquer disposição em contrário, conceder a todos os padres, para o ano do jubileu, a capacidade de absolverem do pecado do aborto todos aqueles que o provocaram e que, de coração arrependido, peçam perdão”.

No Catolicismo, o aborto é visto como um pecado grave, punido com a excomunhão imediata da Igreja. Mas, em uma carta publicada pelo Vaticano nesta terça-feira, o Papa Francisco se referiu à “dura prova existencial e moral” que afronta as mulheres que tenham interrompido uma gravidez. Ele disse ainda que havia “conhecido muitas mulheres que carregavam em seu coração a ferida desta dolorosa e angustiante decisão”.

Normalmente, uma pessoa só pode ser perdoada formalmente pelo confessor chefe de uma diocese ou um missionários cristão, afirmou o porta-voz do Vaticano, Ciro Benedettini.

Para a coordenadora da ONG Católicas pelo Direito de Decidir, Rosângela Talib, a medida é importante, mas ainda possui um caráter “muito restritivo”.

– Chama atenção o fato de haver um prazo. O que acontece com as mulheres que abortaram antes de dezembro de 2015 e que irão abortar depois de novembro de 2016? – questiona. – O aborto continua sendo um pecado grave nos documentos papais que dão os nortes à instituição. Então, não vejo uma mudança na hierarquia da Igreja sobre isso em pouco tempo

Para ela, a Igreja precisa se abrir mais essa discussão:

– Nenhuma mulher aborta por prazer. Não é uma decisão fácil. Então, elas têm que ser acolhidas pela Igreja e ter suas decisões respeitadas.

O Globo

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