Janot é sabatinado por 10 dos 13 senadores investigados na Lava-Jato

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Indicado pela presidente Dilma Rousseff para seguir à frente da Procuradoria-Geral da República, Rodrigo Janot tem uma intensa quarta-feira pela frente. Primeiro ele será sabatinado às 10h na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Depois de sabatinado, Janot passará por duas votações: uma na própria CCJ e outra no plenário à tarde. Responsável pelas acusações de políticos no âmbito da operação Lava-Jato, Janot terá pela frente na CCJ dez dos 13 senadores investigados no Supremo Tribunal Federal (STF) em denúncias sobre desvios na Petrobras. (CONFIRA A LISTA DE POLÍTICOS INVESTIGADOS)

Dos senadores alvos de inquéritos, oito são integrantes titulares da CCJ e outros dois, suplentes. Dos titulares estão Romero Jucá (PMDB-RR), Valdir Raupp (PMDB-RO), Edison Lobão (PMDB-MA), Benedito de Lira (PP-AL), Ciro Nogueira (PP-PI), Humberto Costa (PT-PE), Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Antonio Anastasia (PSDB-MG). Já entre os suplentes estão Fernando Collor (PTB-AL), que ontem questionado se participaria da sabatina ironizou que iria para Etiópia, e Lindberh Farias (PT-RJ).

Se quiserem, os 81 senadores podem comparecer à CCJ para fazer perguntas ao procurador-geral, porém, apenas os integrantes titulares votarão o parecer que a comissão enviará ao plenário do Senado, com a recomendação ou reprovação do nome de Janot. Na falta de um titular, um suplente terá o direito de votar.

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SEGUNDA LISTA TEM OUTROS POLÍTICOS

O procurador-geral da República apresentou os primeiros pedidos de abertura de inquéritos no STF para investigar políticos citados na delação premiada do empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC e apontado como chefe do cartel que fatiou contratos da Petrobras e de outras estatais.

Os depoimentos de Pessoa foram divididos em 30 petições ocultas no STF, que tramitam dessa forma até a definição sobre a abertura de inquéritos. A decisão caberá ao ministro Teori Zavascki, relator no STF dos processos envolvendo autoridades com foro privilegiado.
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Essa é a segunda lista de Janot mantida sob sigilo. A primeira relação de pedidos de abertura de inquéritos levou em conta as delações do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Janot protocolou os pedidos em 3 de março. Na mesma semana, Zavascki concordou com as solicitações e determinou a instauração de inquéritos que investigam 13 senadores, 22 deputados federais e 12 ex-deputados.

Foi a partir dessas investigações que surgiram as duas primeiras denúncias da PGR, contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o senador Fernando Collor (PTB-AL). Eles foram denunciados por corrupção e lavagem de dinheiro.

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A delação de Pessoa menciona autoridades com foro já investigadas e políticos acusados pela primeira vez. Estão nesse segundo grupo dois ministros petistas da presidente Dilma Rousseff: Aloizio Mercadante, da Casa Civil, e Edinho Silva, da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência.

Segundo Pessoa, houve repasse de caixa dois para Mercadante na campanha ao governo de São Paulo em 2010. Edinho teria tratado da campanha à reeleição de Dilma. O atual ministro era tesoureiro da campanha em 2014. Outro político citado foi o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), também por conta de repasse ilegal na campanha.

Segundo fontes, a PGR já analisou todas as menções feitas por Pessoa e formatou as citações para pedir a abertura dos inquéritos. Nem todos os pedidos foram protocolados no STF, o que pode atrasar uma decisão por parte de Zavascki.

O Globo

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