Mais uma deputada sofre ameaça por votar contra redução da maioridade

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Alguns dias após o deputado Celso Maldaner (PMDB-SC) revelar ter sofrido ameaças por votar contra a redução da maioridade penal no Brasil, mais uma parlamentar denuncia uma série de ofensas que está recebendo por também se posicionar contra a medida.

Única parlamentar do DEM a votar contra a PEC da redução (nas duas votações), professora Dorinha Seabra Rezende (DEM-TO) comparou a violência das ofensas aos crimes cometidos por menores infratores.

“Falta um homem de verdade para te colocar no seu lugar”, “ainda bem que não tem cotas para mulheres”, “sua hora vai chegar” e “espera que um menor vai te dar um trato” foram alguns dos comentários direcionados à deputada.

Pedagoga, mestre em Educação e doutora em Gestão Educacional, Rezende disse achar opiniões contrárias “democráticas”, “bem-vindas” e “naturais”, mas criticou a postura de parte dos colegas de plenário. “Houve deputados que falaram coisas do tipo: ‘Tomara Deus que não sejam vítimas de estupro’”, disse em entrevista à BBC Brasil.

“Acho normal discordarem. Isso não é ofensivo”, afirmou. “Ofensivo é ameaça, é xingamento, é ameaça física a mim, aos meus filhos”, completou.

Dorinha, que também votou contra o seu partido na votação da Terceirização, afirma não ter medo das ameaças e chama os agressores de ‘covardes’.

“Não senti medo porque acho que os agressores são extremamente covardes.”

A deputada também rebateu as críticas de que estaria votando a favor do governo ao se posicionar contra a redução da maioridade penal.

“Alguns comentários diziam que eu acabei apoiando o governo. Isso é um equívoco, porque o PMDB é governo e está a favor da maioridade. Essa polarização é muito mais fruto do perfil do Congresso, com deputados mais conservadores e ligados a bancadas específicas […] e com o próprio presidente (Eduardo Cunha), que é um defensor pleno desta votação”, afirmou.

Por que não reduzir?

Convicta da decisão que tomou, professora Dorinha considera que a redução da maioridade penal no Brasil de 18 para 16 anos é pior do que a pena de morte.

“Era melhor ter pena de morte. Está-se pegando um jovem de 16 anos e dizendo ‘para mim, você não me serve’. Está irremediavelmente perdido. Fico imaginando um jovem de 16 anos que vai entrar em contato com o que tem de pior no crime. Ele vai sair pior que entrou. Eu tenho que ter esperança nesse jovem”, desabafa.

A redução da maioridade penal foi aprovada em primeira instância na semana passada. Para passar a vigorar, precisa ser aprovada em mais um turno na Câmara e dois no Senado.

Imagens das agressões:

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