Pressionado pelo ‘centrão’, Temer deve desistir de tucano para ministério

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Sob Michel Temer, criou-se um novo padrão de fritura de ministros. O presidente negocia com o partido. Depois, sonda o felizardo. Na sequência, joga o nome no micro-ondas, vazando-o para a imprensa. Se passar do ponto, não vai para o Diário Oficial. Escolhido para a pasta que cuida da coordenação política, o deputado tucano Antonio Imbassahy foi tostado entre o final da manhã e o meio da noite de quinta-feira (8). Está prestes a entrar para a história como o primeiro caso de ex-ministro a ser exoneradio antes da nomeação.

Temer começou a flertar com o inusitado quando Renan Calheiros lhe sugeriu aumentar de três para quatro a cota de ministérios do PSDB. Sob crise permanente, o governo precisava converter o tucanato de inimigo cordial em amigo de infância. Lero vai, lero vem, os tucanos cresceram o olho na direção do Planejamento. Henrique Meirelles, o czar da Fazenda, levou o pé à porta. Não admite uma segunda palmeira no gramado. Desceu ao balcão, então, a coordenação política, disponível desde a queda de Geddel Vieira Lima, no mês passado.

O PMDB, que se considerava herdeiro da vaga do peemedebista Geddel, fez cara feia para Imbassahy. Mas partiu do centrão —aglomerado partidário que reúne PSD, PP, PR e PTB— a reação mais enérgica. Apinhado de órfãos de Eduardo Cunha, o grupo enxergou na ascensão de Imbassahy uma esperteza de Temer para retirar o tucano do caminho do ‘demo’ Rodrigo Maia, pavimentando sua reeleição à presidência da Câmara.

“É amadorismo”, espetou Jovair Arantes, líder do PTB e candidato ao comando da Câmara ou a um ministério qualquer. ”Pelo compromisso que o presidente tem com o diálogo, ele informaria à sua base”, estranhou Rogério Rosso, líder do PSD e também candidato à poltrona de Rodrigo Maia.

Temer apressou-se em chamar os líderes do centrão para uma conversa. E a nomeação de Imbassahy, vendida pela manhã como coisa decidida, subiu no telhado à noite. Se tiver de voltar à mesa de negociação, o PSDB vai acabar reivindicando a poltrona de presidente da República. Renan Calheiros terá de avisar: “Esse cargo não é possível.” O tucanato indagará: “Por quê?” E Renan: ”Tecnicamente, a Presidência da República não é ministério. E o Michel Temer, que eu imaginava ser da minha cota pessoal, foi sequestrado pelo centrão.”

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