PF prende Carlinhos Cachoeira em operação contra lavagem de dinheiro

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O empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na manhã desta quinta-feira, em um condomínio de luxo em Goiânia (GO), na Operação Saqueador, deflagrada pelo Ministério Público Federal (MPF) e Polícia Federal. A ação investiga um esquema de corrupção que usou empresas fantasmas para transferir cerca de 370 milhões reais, obtidos pela Delta por meio de crimes praticados contra a administração pública, para o pagamento de propina a agentes públicos.

O ex-diretor da Delta Cláudio Abreu também foi preso em outro condomínio de luxo de Goiânia. Ainda há outros três mandados de prisão para serem cumpridos. Os agentes da PF estão Em São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás. O empresário Adir Assad, que já foi condenado na Operação Lava Jato, e Marcelo José Abbud, dono de empresas de fachada usadas no esquema de lavagem, também estão entre os alvos da operação.

O ex-presidente da construtora Delta, Fernando Cavendish, já é considerado foragido, pois estaria fora do país. O MPF do Rio já denunciou Cavendish, Cachoeira, Adir Assad e outras vinte pessoas por envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro público.

A empreiteira Delta, que participou de diversas obras no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), foi um dos principais alvos de investigação da CPI do Cachoeira, instaurada em 2012, para apurar os laços de Carlinhos Cachoeira com empresas e políticos. O esquema acabou derrubando o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que tinha envolvimento com Cachoeira e foi cassado.

As investigações da PF duraram cerca de 3 anos e se iniciaram a partir dos documentos colhidos na CPI. Criada pelo PT para atacar instituições que investigaram e denunciaram o mensalão, a comissão passou a aterrorizar políticos depois de VEJA revelar que a Delta usava uma extensa rede de empresas-fantasma para pagar propina a servidores públicos e financiar ilegalmente campanhas eleitorais.

Segundo reportagem de VEJA, de dezembro de 2013, Adir Assad era a peça central desse esquema. Suas empresas de engenharia e terraplenagem recebiam da Delta grandes quantias, que depois eram sacadas na boca do caixa e repassadas aos beneficiários finais. Coube ao próprio dono da Delta, Fernando Cavendish, relatar esse esquema a parlamentares. Cavendish ainda disse que não apenas a Delta, mas companhias de diversos setores usavam o laranjal de Assad para remunerar funcionários públicos e políticos.

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