Dólar opera em alta de mais de 1% nesta quinta-feira

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O dólar opera em alta nesta quinta-feira (12), após o plenário do Senado Federal aprovar pela manhã a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff por 55 votos a favor e 22 contra. O dia também é marcado por novo anúncio de atuação do Banco Central no mercado de câmbio, após a moeda norte-americana fechar abaixo de R$ 3,45 na véspera.

Às 13h30, a moeda subia 0,95%, a R$ 3,4784 na venda. Veja a cotação do dólar hoje.
Acompanhe a cotação ao longo do dia:
Às 9h10, alta de 0,26%, a R$ 3,4544
Às 10h, alta de 0,64%, a R$ 3,4676.
Às 10h40, alta de 0,97%, a R$ 3,479
Às 11h40, alta de 1,1%, a R$ 3,4837
Às 12h10, alta de 1,41%, a R$ 3,4837
Às 12h50, alta de 1,47%, a R$ 3,4963

Com a decisão do Senado, Dilma fica afastada do mandato por até 180 dias. Com o afastamento de Dilma, o vice Michel Temer assume a Presidência da República.

Com a troca de governo, muda também o comando do Ministério da Fazenda: sai Nelson Barbosa e entra Henrique Meirelles – nome já conhecido e bem recebido pelo mercado, Meirelles foi o presidente mais longevo do Banco Central.

O mercado também aguarda a confirmação do nome esolhido para a presidência do BC. A expectativa é que o atual presidente, Alexandre Tombini, continue no posto por mais algum tempo, em um período de transição. Nesta quinta-feira, Dilma exonerou seus ministros com exceção de Tombini.

“Acredito que a volatilidade do dólar diminui, já que a retomada de confiança vai tirar a insegurança de agentes econômicos”, disse ao G1 Ricardo Humberto Rocha, professor do Advanced Program in Finance do Insper.

No exterior, o anúncio de Pequim de um plano de investimento no transporte de R$ 724 bilhões diminuiu os temores de uma possível mudança da política econômica da China.

Por que o dólar está subindo?

Após o dólar iniciar o dia operando em alta nesta quinta-feira (12), o assunto “R$ 1,00” se tornou um dos mais comentados nas redes sociais. Na internet, o questionamento é por que a moeda dos Estados Unidos não está caindo em relação ao real logo após a aprovação no Senado do processo de impeachment de Dilma Rousseff, já que expectativas do mercado sobre o assunto vêm fazendo a moeda recuar nas últimas semanas.

Especialistas ouvidos pelo G1 explicam que, embora o cenário político também esteja sob as atenções do mercado, uma série de outros fatores também influenciam a variação da moeda em relação ao real. “Tem muitos fatores em jogo, e não há uma única razão para explicar por que o dólar não caiu hoje”, diz Carlos Daniel Coradi, diretor da EFC Engenheiros Financeiros & Consultores.

“A gente tem que pensar que o contexto atual ainda demanda um pouco de cuidado. Passado todo o problema local, o dólar vai começar a responder aos movimentos internacionais. Tudo vai depender dos Estados Unidos, uma perspectiva de aumento dos juros por lá volta a pesar”, diz Jason Vieira, economista chefe da Infinity Asset.

“Há também uma influência da China e da cotação do petróleo, pois o Brasil ainda importa petróleo’, acrescenta Coradi.

Sobre a influência do cenário político brasileiro no câmbio, “o mercado agiu no boato, mas para o fato ainda vai se aguardar um pouco”, diz Vieira, apontando que o dólar recuou em meio a expectativas sobre uma mudança no governo, mas agora terá que aguardar o cenário se definir mais claramente.

Vieira afirma que o que acontece agora é um “movimento de ajuste”. Já Coradi aponta que “há um movimento de especulação também”. “As mesas de banco trabalham em cima da especulação. Esperam cair, compram lá embaixo e depois revendem”, diz.

Intervenção do Banco Central

Muitos operadores entendem que o BC não quer o dólar abaixo de R$ 3,50 para não prejudicar as exportações e, assim, as contas externas do país.

“Tem gente que estaria batendo palmas com o dólar mais baixo para viajar para Miami e gastar o dinheiro que nós não temos. Não estão nem aí para as nossas exportações. A China mantém o câmbio desvalorizado, e com isso invadiu os mercados mundiais vendendo tudo quanto era porcaria, e acabando com a nossa capacidade de competir com produtos industriais”, diz Coradi.

Segundo a Reuters, o BC anunciou leilão de até 20 mil contratos de swap cambial reverso, equivalente a compra futura de dólares. Na véspera, realizou três leilões, oferecendo até 20 mil contratos em cada operação e vendendo 47.970 swaps reversos.

Entenda como funciona a intervenção do BC no câmbio.

“Não há interesse no banco central de uma queda muito forte”, diz Vieira. “Mais para frente, pode ser que de alguma maneira haja um retorno (queda) do dólar. Mas, no curto prazo, ainda existe uma atuação muito forte do BC.”

Na quarta (11), o dólar fechou em queda de 0,6%, a R$ 3,4456 na venda. Na semana, o dólar recua 1,63%. No mês de maio, a moeda tem valorização de 0,15% e, no ano de 2016, acumula queda de 12,7%.

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