Paraibana se emociona ao falar do esforço do filho para resgatá-la da Ucrânia: ‘não desistiu de nós’

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Foram 32 dias conturbados que Silvana Pilipenko passou com o esposo e a sogra na Ucrânia. Aviões lançando bomba, prédio em que eles moravam balançando pelo impacto dos mísseis, sair de casa era um risco. Porém, a insistência do filho, que estava em outro país, e a luta para encontrá-los, os levou à Crimeia, ponto de partida para a chegada à Paraíba, que aconteceu na madrugada deste domingo (10), quando foram recepcionados por familiares e amigos.

“Eu passei 32 dias na guerra, foram 32 dias que dormíamos muito mal, quando saímos de lá, nós atravessamos um território russo muito perigoso, com muitos pontos de controle, muitas fronteiras. Você vive o momento e não consegue raciocinar como será o amanhã, como será o depois, porque eu já não pensava mais sobre isso”, disse Silvana, ao chegar no Aeroporto de João Pessoa.

As condições de sobrevivência eram as piores. Silvana detalhou algumas dificuldades que passou com o marido ucraniano, Vasyl Pilipenko, e a sogra de 87 anos. Ela também contou que até para buscar água era difícil e que usou a madeira de alguns móveis para fazer fogo e cozinhar – em clima de baixa temperatura.

“Nós entramos em uma casa que havia sido destruída pelas bombas. Conseguimos a madeira para fazer fogo e voltamos para o prédio”.

Esse contexto foi o do desaparecimento deles. Silvana havia falado pela última vez com a família no dia 3 de março, quando disse que a cidade estava começando a ser atacada e sofria com quedas de energia. No dia anterior, ela enviou um vídeo com notícias à família, e alertou que poderia perder a conexão e, consequentemente, o contato com eles.

Porém, nesse mesmo dia que eles saíram em busca de água e madeira, quando chegaram em casa, havia um homem à espera deles.

“Ele perguntou o nome do meu esposo. – Você é Vasyl? Aí meu esposo respondeu: – Sim. Eu sou Vasyl. Aí ele disse: – Seu filho me mandou tirar vocês daqui. Vocês têm 15 minutos pra sair daqui. O filho de vocês mandou resgatar vocês”, contou Silvana.

Era a segunda tentativa do filho para encontrar os pais. E deu certo. Gabriel Pilipenko, que é engenheiro, explicou que o Itamaraty ajudou em todo o processo, especialmente o funcionário André Mourão, da embaixada Brasileira na Ucrânia.

Gabriel estava a trabalho em Taiwan e tentou entrar na Ucrânia para obter informações sobre a mãe. No entanto, mudou de ideia ao chegar na Alemanha e ver que a situação se mostrava muito perigosa.

“Eu achei o transporte, eles me ajudaram com as despesas, com a travessia entre as fronteiras e futuramente com a tirada da minha família da Rússia de volta ao Brasil”, disse Gabriel.

Chegada à Crimeia

A paraibana falou publicamente pela primeira vez no dia 31 de março, desde que conseguiu sair do país e entrar na Crimeia.

Em vídeo postado nas redes sociais, Silvana agradeceu a preocupação de todos e contou sobre a situação no país (veja vídeo abaixo).

“Eu, minha sogra e meu esposo estamos fisicamente bem, mas emocionalmente abalados, e precisamos de um tempo para nos reconstruir. Foram dias difíceis, muito difíceis, mas eu agradeço cada oração de vocês, o empenho de vocês, porque eu tenho certeza que as orações foram parte fundamental para que a nossa saída [da Ucrânia] tivesse êxito”, disse.

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