22/05/2015 às 16h13
Um grito de sede

Audiência pública conta com a presença de 32 prefeitos para falar da crise hídrica na PB

Os relatos, feitos na manhã desta sexta-feira (22), pelos prefeitos dos municípios paraibanos que estão enfrentando situações de emergência, colapso ou racionamento por causa da falta de água, evidenciaram a gravidade do problema que atinge, pelo menos, 170 municípios da Paraíba, dos quais 48 estão absolutamente sem água. A situação em algumas cidades é de calamidade. Noutras, nem os carros-pipa estão suprindo as necessidades básicas do consumo humano. Em todas, a necessidade de atendimento é urgente, a ausência de acolhimento por parte das autoridades competentes é uma realidade e o sentimento de solidão dos prefeitos no enfrentamento do problema é unanimidade.

O objetivo da audiência promovida pela Frente Parlamentar da Água da ALPB, presidida pelo deputado Jeová Campos, era o de dar oportunidade dos gestores públicos exporem suas aflições e problemas diante da falta de água em suas cidades. Mas, a audiência foi mais além. “Esse momento, creio eu, reacendeu a esperança dos prefeitos de que agora, com a atuação da Frente, de mãos dadas com a FAMUP, com a bancada federal paraibana,  a luta se fortalecerá e que é preciso a união de todos, independente de bandeiras partidárias, para que a pressão política para a solução imediata dos problemas emergenciais seja forte, efetiva e eficaz”, argumenta o deputado Jeová Campos.

A Prefeita de Monte Horebe, Cláudia Dias, disse que a cidade, cuja população é de 4.748 habitantes, está enfrentando o terceiro colapso no abastecimento, que desde 2012 há racionamento no município que só permite ter água 2 horas por dia, que a água dos carros-pipa do Exército não supre a necessidade e que a prefeitura precisa desembolsar R$ 20 mil/mês para complementar a oferta de água na zona rural. “Mesmo assim a cota é de 20 litros/dia por pessoa e a pessoa tem que escolher cozinhar de dia, e não cozinhar à noite por falta de água, o volume não dá nem para as necessidades básicas do ser humano”, afirma ela.

Idêntica situação vive o município Carrapateiras. O prefeito André Pedrosa apela para que os governos se sensibilizem com a situação e ajudem às prefeituras, de forma mais efetiva. “Nós não temos mais condições de atender a população socinhos”, disse ele. Em Princesa Isabel a situação se repete. Com 18 mil habitantes só tem água abastecida por carros-pipa, a exemplo de Puxinanã e Queimadas. Está última cidade, está desembolsando R$ 150 mil/mês, de recursos próprios para suprir o consumo mínimo da população. Sem ajuda do governo do estado desde 2013, o prefeito Jacó Maciel diz que a ajuda do Exército com carros-pipa só abastece 54, das 3.500 cisternas existentes no município. “A situação é de calamidade. Não há outro termo para definir essa realidade”, desabafa o prefeito de Queimadas.

A zona rural da cidade de Dona Inês não tem abastecimento de água há quatro anos e há dois anos, a Cagepa suspendeu o fornecimento de água da cidade que é abastecida, exclusivamente, por carros-pipa que pegam água na cidade de Brejinho, no vizinho estado do Rio Grande do Norte, com um custo de R$ 350,00 por carrada. São três carros-pipa por dia. O prefeito, Antônio Justino, reclamou da falta de apoio dos governos estadual e federal no enfretamento do problema. “Os prefeitos estão só, sendo pressionados pela população e sem ter como resolver o problema sozinho, atendendo só o emergencial”, desabafou ele. O representante de Triunfo também  fez o seu relato, destacando que a cidade não tem água da Cagepa há três anos.

O prefeito de Solânea, Sebastião Alberto da Cruz, também está garantindo o abastecimento mínimo da população com seis carros-pipa. O volume disponibilizado pelo Exército na zona rural também não atende as necessidades da população e a prefeitura precisa complementar com recursos próprios. A cidade de Esperança, com 32 mil habitantes, não tem uma gota de água. Quatro carros-pipa vão atendendo a população de forma precária. O prefeito Anderson Monteiro lembra que o problema se arrasta há muito tempo sem que os governos realizem obras que assegure segurança hídrica. “Há 12 anos meu pai foi prefeito e já reclamava dessa situação”, disse ele.

“Os relatos, falam por si só. Mostram o quanto é grave a situação e evidenciam a urgência na busca por soluções”, destaca Jeová Campos que, durante a audiência convidou os prefeitos para junto com os deputados que integram a Frente Parlamentar da Água, definir uma agenda em Brasília, na próxima semana, que incluirá passagem pelo Ministério da Integração e uma reunião com a bancada federal da Paraíba. A reunião com a bancada deve acontecer na quarta-feira (27), e a ida ao Ministério, no dia seguinte (28).  Nesta sexta-feira (22),  à tarde, uma comitiva de prefeitos se reúne, na Granja, com o governador Ricardo Coutinho, graças a uma articulação da Frente Parlamentar da Água.

Além dos deputados que integram a Frente Parlamentar e dos prefeitos paraibanos, a audiência também teve a participação do presidente da FAMUP, Tota Guedes, dos diretores de Operação e Expansão da Cagepa, José Mota e Leonardo Brasil, respectivamente, e ainda do coronel Carlos Alberto, do 1º Grupamento de Engenharia do Exército. O presidente da ALPB, Adriano Galdino, não compareceu por problemas de saúde.

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