29/12/2015 às 09h02
GUERRA

Eduardo Cunha usa a TV Câmara para atacar o governo e o PT

Brasil, Brasília, DF, 02/03/2015. O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ)convoca reunião com a Mesa Diretora para rever a cota de passagens aéreas para cônjuges de parlamentares. “Reconheço que a repercussão foi muito negativa”, afirmou o peemedebista. O benefício foi aprovado na reunião da Mesa Diretora no dia 25 de fevereiro. – Crédito:DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO/AE/Código imagem:180989

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), usou um programa de entrevistas da TV Câmara para atacar a presidente Dilma Rousseff e o PT e defender a volta do processo a que responde no Conselho de Ética ao estágio inicial.

Trechos da entrevista foram divulgados na segunda-feira por Cunha em seus perfis nas redes sociais. O material institucional da emissora, disponível na internet, afirma que a TV Câmara foi criada “para transmitir as discussões e votações do Plenário e das comissões, dando maior transparência à rede de elaboração das leis que regem o dia a dia da sociedade”.

Cunha, que não citou o nome de Dilma nenhuma vez nos 55 minutos de entrevista, criticou a articulação política do Palácio do Planalto e afirmou que o governo federal é “incompetente na gestão”:

— O governo é incapaz de gerir. Isso tem sido visto pelos resultados apresentados e, ao mesmo tempo, busca-se resolver pequenas vantagens políticas com distribuição de benesses, emendas, cargos.

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Mantendo a posição que tem manifestado publicamente, Cunha defendeu que o PMDB rompa a aliança com o PT. Ele também acusou o PT de defender o financiamento das campanhas eleitorais por pessoas físicas porque “usa a máquina pública” durante as eleições.

— Para fazer como está (como determinado pelo Supremo Tribunal Federal), com (doação de) pessoa física, só o PT consegue, porque o PT usa máquina pública e cobra percentual da máquina pública para o partido. O PT conseguiu, quando teve prisão no mensalão, fazer vaquinha e pagar a multa em 24 horas — disse.

Cunha criticou também a posição do Senado, que ainda não votou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC), aprovada na Câmara, que autoriza o financiamento privado nas campanhas. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) é aliado de Dilma e tem feito um contraponto a Cunha nas discussões sobre o impeachment.

— O Senado, quando viu o julgamento ser concluído no Supremo, achou melhor deixar o caos se instaurar no ano que vem — alfinetou. — Não há condições de você fazer financiamento de campanha do jeito que está sendo colocado. Vai levar todo mundo para o caixa dois ou (deixar) impossibilitado de fazer a eleição.

CONFIANÇA EM ANULAÇÃO DE PROCESSO NO CONSELHO DE ÉTICA

Denunciado por corrupção pela Procuradoria-Geral da República no âmbito da operação Lava Jato, Cunha afirmou que “a culpa da corrupção na Petrobras é do PT”. Ele não foi questionado sobre as denúncias que envolvem seu nome.

— Tem que se evitar que empresas como a Petrobras possam ser usadas com o objetivo de financiar a permanência no poder de um grupo que atua praticamente de forma criminosa, como foi o caso do PT em relação à Petrobras.

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O presidente da Câmara demonstrou confiança de que o trâmite de seu processo no Conselho de Ética seja anulado. A admissibilidade foi aceita no Conselho, mas, segundo Cunha, a troca de relator fará com que o processo volte ao início. Ele alega também que houve irregularidade na escolha do primeiro relator (Fausto Pinato), por pertencer a um partido (PRB) que fez parte do bloco parlamentar do PMDB no início da legislatura.

— Eles, propositadamente, fizeram dessa forma, porque sabem que será anulado e vão vir com aquela história de que houve manobra. O que não dá é para você afrontar o regimento — alegou.

Em nota, Cunha afirmou que “opinião política de deputado faz parte do caráter institucional de um veículo que transmite todos os dias opiniões, discursos e debates políticos”. O governo não quis comentar as declarações. Nenhum representante do PT foi encontrado.

O Globo

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