16/12/2015 às 15h27
APREENSÃO

Táxi achado na casa de Eduardo Cunha tem 36 multas fora da cidade de registro

Um dos carros encontrados por agentes da Polícia Federal (PF) na casa do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PDMB-RJ), na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, nesta terça-feira, está registrado em nome de Altair Alves Pinto. Ele é apontado por Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, como o responsável por receber dele propina e entregar ao parlamentar. Em nota, a assessoria de Cunha admitiu que ele usa o carro: “Eventualmente o Presidente aluga o veículo para prestar serviços gerais”, diz a nota.

O veículo — um táxi — é um Touareg branco, modelo 2013-2014, com placa LSM 1530, de Nilópolis. Um veículo do mesmo modelo, zero quilômetro, está na faixa e R$ 248 mil. Levantamento feito pelo EXTRA nos sites do Detran e da Secretaria municipal de Transportes do Rio mostra que o carro possui 32 multas, nenhuma delas em Nilópolis. A maioria (30) foi na capital fluminense, principalmente na Barra da Tijuca, onde mora Cunha, em Copacabana e no Centro, onde fica o escritório do presidente da Câmara.

Há duas infrações também em duas cidades vizinhas. Em Itaboraí – onde fica Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, cuja obra da Petrobras está paralisada, e onde Cunha teve o maior número de votos no estado, ele recebeu uma multa por excesso de velocidade, em 11 de abril. Em – cuja a casa do prefeito, Nelson Burnier (PMDB-RJ), aliado do presidente da Câmara, também foi alvo da operação da PF – ele recebeu a mesma penalidade, em 30 de setembro.

Somadas, as 32 infrações totalizam 138 pontos e um montante de R$ 3.053,98 – pelo menos R$ 1.404,57, referentes a 18 dessas multas, não pago.

A Polícia Federal fez uma operação de busca e apreensão na casa de Cunha
A Polícia Federal fez uma operação de busca e apreensão na casa de Cunha Foto: FÁBIO MOTTA / Estadão

No site da Polícia Rodoviária Federal (PRF), constam ainda quatro infrações na consulta pela placa e pelo Renavam do veículo de Altair, aplicadas entre setembro do ano passado e janeiro deste ano. Todas foram cometidas na BR-116, na altura de Comendador Soares, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e por “velocidade superior à máxima permitida em até 20%“.

Em depoimento à Polícia Federal, Baiano disse que Altair recebeu uma remessa, entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão, em outubro de 2011. O montante fazia parte da propina de US$ 5 milhões que teria Cunha como destinatário, segundo Baiano. “Que Altair aparentava ser um assessor ou uma pessoa de confiança (de Cunha), até mesmo porque todos os valores entregues no escritório (do presidente da Câmara) foram para Altair”, disse Baiano no acordo de delação premiada.

Na ocasião do depoimento de Baiano, Altair ocupava um cargo na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Ele era assessor especial para assuntos parlamentares, lotado no gabinete do deputado Fábio Silva (PMDB), aliado de Cunha, com salário líquido mensal de R$ 7,6 mil. Altair não exerce mais a função. Ele também foi funcionário de Cunha na Alerj, no início dos anos 2000.

O veículo coleciona várias multas. A mais recente, de agosto, foi por transitar em faixa exclusiva para ônibus, em Copacabana. Há ainda infrações por excesso de velocidade. Em nota, Cunha informou que “eventualmente, aluga o veículo para prestar serviços gerais”. Procurado por telefone, Altair não foi encontrado em casa. Uma pessoa que se identificou como faxineiro afirmou que ele havia saído de manhã e ainda não tinha voltado.

Extra

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