01/12/2015 às 10h53
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Pernambucano faz música para Dilma e PT repudia versão: “Meu Santo Antônio arruma um macho pra Dilma”

O cantor recifense João do Morro lançou nas redes, na última semana, uma música sobre a presidente Dilma Rousseff que vem causando polêmica. Intitulada “Resposta para Dilma”, a letra critica os eleitores da petista e usa termos pejorativos para acusá-la de ser responsável pela crise atual. “É por isso que falam que não presto, tem gente que votou em Dilma e agora quer fazer protesto”, diz um trecho “leve” da música.

O cantor também faz referências à suposta orientação sexual da presidente e diz que ela precisa de um homem para resolver a situação do Brasil. Confira a música:

Em nota enviada nesta segunda-feira (30), o PT de Pernambuco repudiou a música de João do Morro por “conteúdo violento, ofensivo e machista”.  “A violência contra as mulheres é coisa séria, senhor João do Morro. Desqualificar, insultar, menosprezar e diminuir as mulheres são formas de perpetuar a opressão e a violência vivenciada por elas no cotidiano”, diz a nota.

Veja na íntegra:

Nota de Repúdio

Nós mulheres do Partido dos Trabalhadores de Pernambuco, através desta nota repudiamos a música de João Morro, de conteúdo violento, ofensivo e… machista, com palavras de baixo calão dirigidas à Dilma Roussef, Presidenta da República e às pessoas que nela votaram.

No Brasil ainda é muito recente a criminalização da violência contra a mulher: em agosto de 2006 foi sancionada a lei 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha, que cria os mecanismos para punir esse tipo de crime e coibir a violência doméstica e familiar contra as mulheres. Em março de 2015 foi sancionada a lei 13.104/2015 – a lei do Feminicídio que o classifica como um crime hediondo e com agravantes quando acontece em situações específicas de vulnerabilidade (gravidez, menor de idade, na presença dos filhos etc).

Segundo o Mapa da Violência contra a Mulher (http://www.mapadaviolencia.org.br), entre 2003 e 2013 o número de vítimas do sexo feminino passou de 3.937 para 4.762, incremento de 21% na década. Essas 4.762 mortes representam 13 homicídios femininos diários. Ainda segundo o estudo, o Nordeste destaca-se pelo elevado crescimento de suas taxas nos homicídios de mulheres no decênio: 79,3%.

A violência contra as mulheres é coisa séria, senhor João do Morro. Desqualificar, insultar, menosprezar e diminuir as mulheres são formas de perpetuar a opressão e a violência vivenciada por elas no cotidiano. É essa cultura que tolhe e reprime a liberdade, a sexualidade, o direito de ir e vir que submete diariamente as mulheres a todo tipo de violência.

É ainda pior quando lembramos que em 2015 a Organização das Nações Unidas instituiu o 25 de Novembro como o Dia Internacional de Eliminação da Violência contra as Mulheres, data que faz parte da campanha dos 16 dias de ativismo.
Violência contra as mulheres não tem graça e nem faz rir.

Secretaria Estadual de Mulheres do PT/PE

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