Laudo aponta que assassino de família da PB na Espanha tem deformações no cérebro; julgamento acontece nesta quarta

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François Patrick Nogueira Gouveia, assassino confesso dos tios e primos no caso conhecido como Chacina de Pioz na Espanha e que vai a júri popular nesta quarta-feira (24), tem deformações no cérebro que afetam a tomada de decisões e contribuem para acessos de ira. A informação é parte de um laudo anexado ao processo de quádruplo homicídio na Espanha, feito pelo neurologista espanhol Antonio Maldonado Suárez, contratado pela defesa do acusado.

De acordo com o laudo, após exames de tomografia e radiografia no cérebro de Patrick Gouveia, foram detectados distúrbios e anomalias no lado direito do lóbulo temporal anterior. O dano neurológico encontrado em Patrick Gouveia, detectado por exames de imagem, indicam que ele teria uma alteração na avaliação correta das situações, de forma a emitir respostas proporcionais aos fatos.

Patrick Nogueira está preso na Espanha desde outubro de 2016, quando se entregou às autoridades espanholas e confessou ter matado os tios e dois primos, de 1 e 4 anos de idade, em um chalé na pequena cidade de Pioz em agosto de 2016. Desde então, o acusado e réu confesso segue aguardando pelo julgamento. Em março deste ano, a promotoria de Guadalajara pediu à Justiça a pena de prisão permanente revisável ao assassino confesso, uma condenação perpétua que pode ser revista a cada 25 anos.

Perícia neurológica de imagens apontou anomalias em área do cérebro de Patrick Gouveia — Foto: Reprodução

Perícia neurológica de imagens apontou anomalias em área do cérebro de Patrick Gouveia — Foto: Reprodução

Segundo o exame, os danos estão em áreas cerebrais que formam parte do sistema envolvido com a tomada de decisões e controle da impulsividade. O dano cerebral, interfere diretamente no raciocínio abstrato, na memória operativa e também na mudança constante de personalidade.

Para o médico e pesquisador Antonio Maldonado Suárez, essas disfunções neurológicas evidentes em Patrick Gouveia explicam uma pré-disposição para sua conduta no crime conhecido como Chacina de Pioz.

“O periciado apresenta Transtorno Antisocial de Personalidade com predominância de agressividade, ira, impulsividade, além de ausência de empatia ou remorso. Patrick Gouveia apresenta níveis de ira extremamente elevados, disruptivos e patológicos. Essa ira extrema aparece notavelmente quando o periciado se encontra em uma situação de frustração ou avaliação social negativa”, relata o médico em seu laudo.

Embora o periciado seja capaz de compreender que os atos cometidos são ilegais, criminosos, ele encontra dificuldade tremenda em compreender plenamente a gravidade dos atos, desde o ponto de vista moral até o social. De acordo com o exame, Patrick Gouveia tem extrema confusão de encontrar o limite entre o que está bem e o que está mal.

Por fim, o médico espanhol Antonio Maldonado Suárez afirmou que é preciso realizar um estudo neurológico com maior profundidade em Patrick Gouveia para entender completamente o funcionamento da sua atividade neurológica.

O laudo pericial neurológico é a principal argumentação usada pela defesa de Patrick Gouveia para evitar uma condenação em pena máxima, conhecida como prisão permanente revisável, que na prática funciona como uma prisão perpétua, levando em consideração que o condenado permanece recluso e passa por uma avaliação de comportamento a cada 30 anos para ser posto em liberdade ou não.

O tio de Patrick Gouveia e irmão de Marcos Campos, pai da família assassinada pelo réu, Marcos Campos, explica que vai ser uma verdadeira batalha jurídica para confirmar que seu sobrinho estava dentro de sua facultade mental ao matar e esquartejar seus dois tios e dois primos pequenos.

“Vai ser uma ‘guerra’, porque a defesa quer provar que Patrick não tinha sua sanidade perfeita ao cometer a barbaridade que fez. Mas nós sabemos, os laudos psiquiátricos forenses mostraram que ele é sociopata, psicopata, que tinha noção do que estava cometendo, apesar não sentir remorso nenhum”, explicou Walfran Campos.

O júri

O julgamento de François Patrick Nogueira Gouveia tem início na quarta-feira (24) em Pioz, cidade espanhola onde ocorreu a chacina, e vai contar com o depoimento de mais de 65 testemunhas de acusação e de defesa. Entre os depoentes estão a mãe e a irmã de Patrick Gouveia, o tio, Walfran Campos, assim como os profissionais que trabalharam nas investigações e na elaboração de laudos e relatórios.

O primeiro dia de julgamento, quarta-feira (24), vai ser destinado apenas para Patrick Gouveia falar pela primeira vez em juízo, de frente para as câmeras, desde que foi preso na Espanha em 19 de outubro de 2016. Os demais, 25, 26, 29, 30 e 31 são destinados aos depoimentos de profissionais que participaram da investigação, amigos e parentes das vítimas.

G1

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