Empresária que aplicou o ‘golpe da formatura’ em mais de 300 universitários da Paraíba é indiciada por estelionato

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A Polícia Civil concluiu as investigações sobre o caso da empresária acusada de lesar várias turmas de formados de universidades de João Pessoa. A proprietária da Waltisa Eventos foi denunciada pelo crime de estelionato. Segundo a delegada Vanderleia Gadi, da Delegacia de Defraudações da capital, a denúncia já foi oferecida ao Ministério Público.

Ela foi ouvida por quase duas horas na semana passada na Central de Polícia e anunciou, em depoimento, que a empresa está decretando falência e por isso não teria como arcar com os custos dos eventos já pagos e programados.

“Se o Ministério Público entender que ainda há alguma diligência faltante, pode pedir pra retornar pra gente concluir. Mas eu imagino que da forma como foi já seja possível apresentar uma denúncia”, explicou.

Doze turmas de, pelo menos, cinco faculdades teriam sido vítimas da empresa. Os formandos estimam que o golpe ultrapasse mais de R$ 1 milhão. Somente a turma de Direito da Faculdade Internacional da Paraíba (FPB) pagou o contrato de R$ 125.400. A formatura seria realizada no início de 2018.

“Vaquinhas e eventos”

Para não deixar o sonho morrer, os formados estão realizando eventos e “vaquinhas online”. “Foi bastante chocante. Prestes a acontecer a formatura e com apenas duas parcelas a pagar. Foi um momento muito triste. Todo mundo desesperado, na semana de defender TCC, na semana de provas, então foi bastante chocante pra gente”, revelou a formada Andressa Stefane.

Cada aluna pagou cerca de R$ 5.400 para ter uma comemoração inesquecível, mas a impossibilidade da empresa não realizar a festa não diminuiu a vontade dos estudantes de realizar o sonho.

“Nós temos recebidos doações de todos os lados, desde professores da nossa faculdade, a amigos, familiares, desconhecidos que vão no nosso Instagram e afirmam que querem doar”, relatou Mayara Ramalho, uma das formandas.

Perfis nas redes sociais foram criados para ajudar a arrecadar fundos. “Estou bem surpresa com tudo que temos recebido e cautelosa, por que temos que saber por onde e ir e em quem confiar, agora mais que tudo”, acrescentou a estudante.

Uma empresa de fotografia foi uma das primeiras a se propor a ajudar as turmas. A postagem trouxe um pouco mais de esperança. “A gente se coloca no lugar daquelas pessoas que estão com aquele desejo, com aquele sonho todo formatado e tudo cai por água a baixo. Então, a gente pensou se todos vão ter força de construir um baile novo em tão curto intervalo de tempo. Pensamos em dar uma coisa que vai ser a marca para todos. Vamos dar esse ensaio para que eles tenham essa lembrança”, contou o fotógrafo Diego Regal.

Pouco a pouco, uma rede de solidariedade surgiu. Várias empresas se uniram para realizar o sonho de mais de 300 formandos.

“Eu trabalho com isso há 19 anos e sei do sacrifício que muitos fazem para concretizar esse momento. Estamos aqui para tentar minimizar o sofrimento deles. O que eles precisarem da gente, nós estamos dispostos a ajudar”, opinou o fotógrafo Victor Hugo.

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