08/08/2017 às 18h29 • atualizado em 09/08/2017 às 20h24
Homicídio

Laudo conclui que tiro de espingarda que matou estudante em João Pessoa não foi acidental

O tiro que atingiu a cabeça da jovem Luanna Alverga, de 20 anos, em João Pessoa, não foi acidental, conforme concluiu o laudo da Criminalística. O crime aconteceu na noite do dia 23 de julho, na casa do namorado dela, Yuri Ramos Coutinho Nóbrega – que foi denunciado pelo Ministério Público nesta terça-feira (7).

O advogado de Yuri, Abraão Beltrão, explicou que ainda não teve acesso ao laudo, mas ressaltou que a defesa alega tiro involuntário. “O tiro acidental, em Criminalística, é aquele em que não há ação humana. A falha de uma arma, por exemplo. Mas é claro que ele pegou a espingarda, que ele manuseou. Mas ele não tinha a intenção de matar a menina”, declarou o jurista.

Segundo o gerente operacional de Criminalística, Marcelo Burity, o laudo divulgado nesta terça-feira compreende apenas a perícia realizada no local do crime. “A perícia investigou se a arma disparava sozinha. Então o tiro não foi acidental no sentido de que o gatilho foi apertado. A investigação ainda vai avaliar a motivação”, explicou o perito.

O laudo também concluiu que a distância entre a cabeça de Luanna e a ponta do cano da arma foi de 50 centímetros, considerada uma curta distância.

Luanna Alverga morreu após ser atingida na cabeça pelo tiro de espingarda disparado por Yuri durante a festa de aniversário do namorado, no bairro do Roger. O jovem se apresentou à Polícia Civil no mesmo dia e confessou o crime, mas defendeu que achava que a espingarda calibre 22 estava sem munição.

Namorado denunciado

Foi apresentada na segunda-feira (7) a denúncia contra Yuri Ramos, que passa a ser acusado de matar a namorada com um tiro de espingarda. Na denúncia, o Ministério Público também pediu a manutenção da prisão de Yuri, que já está em prisão preventiva desde o dia 24.

Na denúncia, o promotor solicitou os laudos de exames realizados pelo perícia no corpo da jovem, toxicológico e da reconstituição. O processo foi distribuído para o 2º Tribunal do Júri da Capital e segue para a análise da juíza titular.

Arma tinha aparecido em foto

Em depoimento à Polícia Civil, Yuri explicou que o tio dele, apontado como dono da espingarda, havia comentado que os cartuchos estavam com defeito por serem antigos. Ele confessou que apontou a arma e puxou o gatilho, mas não esperava que ela estivesse com munição. A TV Cabo Branco teve acesso ao depoimento.

De acordo com o depoimento do namorado à polícia, Luana queria ir ao banheiro, mas o local estava ocupado. Os dois foram até o banheiro que fica no quarto do tio do suspeito, nos fundos da casa, onde estava guardada a espingarda. No quarto, o jovem pegou a arma para mostrar a Luana. Segundo o suspeito, uma semana antes do caso, ele havia enviado uma foto segurando a arma para a namorada.

Na ocasião, ele tinha explicado que a espingarda era para fazer a segurança da casa, porque vários assaltos estavam sendo registrados no bairro. Na versão do jovem, a ida ao quarto do tio acabou servindo também para mostrar a arma, tendo em vista que a foto enviada tinha sido tirada no local.

Yuri explicou ao delegado que investiga o caso, Joanes Eugênio, que o tio, além de informar que os cartuchos estavam estragados, tinha avisado que iria jogar fora. Não foi a primeira vez que ele manuseou a arma e em todas as vezes, a espingarda estava sem munições.

Suspeito serviu ao Exército

O advogado da família de Luana Alverga, Hilton Souto Maior Filho, explicou que Yuri havia servido o Exército durante um tempo. “Na versão dele o tiro foi acidental, mas ele serviu o Exército, sabia manusear a arma, pelo menos foi imprudente”, avaliou o advogado. Ainda de acordo com Hilton Souto Maior Filho somente a perícia e o exame cadavérico poderão apontar, de fato, se o tiro que matou a jovem de 20 anos foi acidental.

G1

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