18/06/2015 às 17h23
Clima tenso

Cássio e outros senadores de oposição são recebidos com vaias e pedras na Venezuela

O senador paraibano Cássio Cunha Lima (PSDB) passou por uma situação tensa na tarde desta quinta-feira, 18, durante a visita dos senadores de oposição brasileiros à Venezuela. O veículo que transporta a comitiva que viajou a Caracas para se reunir com opositores do governo, foi parado na saída do aeroporto por causa de um bloqueio policial em uma estrada próxima.

A delegação, que viajou a bordo de um avião da FAB, é comandada por Aécio Neves (PSDB-MG) e pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP). Também estão na comitiva, além de Cássio Cunha Lima (PSDB), José Agripino (DEM), Ronaldo Caiado (DEM), Ricardo Ferraço (PMDB), José Medeiros (PPS) e Sérgio Petecão (PSD).

— Eles tentaram nos tirar daqui. Tivermos que furar o cerco e voltar — afirmou Cássio Cunha Lima.

Na saída do aeroporto, a van com os senadores foi cercada por dezenas de partidários do governo, muitos dos quais vestidos de vermelho, que bateram no veículo gritando: “Chávez não morreu, se multiplicou”.

Segundo membros da escolta dos senadores, o bloqueio se deve ao translado de um prisioneiro extraditado da Colômbia.

Aécio, porém, disse que já telefonou para o embaixador do Brasil, Rui Pereira, para que tome providências. Pereira teria prometido ligar diretamente para a Chancelaria venezuelana.

Para o senador mineiro, é difícil imaginar que essa situação não seja possível sem a conivência das autoridades locais.

Questionado se ele avalia que a embaixada está fazendo tudo o que pode, Aécio disse só poderia responder essa pergunta ao final da estada.

“Não conseguimos sair do aeroporto. Sitiaram o nosso ônibus, bateram, tentaram quebrá-lo. Estou tentando contato com o presidente [do Senado] Renan [Calheiros]”, disse Caiado.

A previsão é de que, após saírem do aeroporto, os senadores sigam direto até o presídio de Ramo Verde, nos arredores da capital, onde tentarão visitar o opositor Leopoldo López, detido há mais de ano por instigar violentos protestos contra o presidente socialista Nicolás Maduro, em 2014.

É tido como improvável que obtenham permissão para entrar em Ramo Verde.

Durante a tarde, os senadores planejam almoçar com representantes da MUD, principal coalizão opositora, e manter reuniões com parentes de estudantes presos por envolvimento nas manifestações do ano passado.

Também está prevista uma visita ao prefeito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma, que está em prisão domiciliar.

A comitiva deve embarcar de volta ao Brasil na noite desta quinta-feira.

Para se contrapor à presença dos senadores, o governo venezuelano convidou um grupo de brasileiros militantes de esquerda e membros de sindicatos, que cumpre agenda de encontros e aparições na mídia estatal.

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